Germinação in vitro e desenvolvimento pós-seminal de Ruta graveolens L. sob influência de fenantreno e benzo[a]pireno

Siomara Dias da Costa Lemos, Thiago José Jesus Rebello, Juliana Lyra Queiroz Pinto, Marcia Marques, Norma Albarello

Resumo


A exposição a contaminantes orgânicos como os hidrocarbonetos policíclicos aromáticos tem atraído considerável atenção devido aos efeitos dessas substâncias sobre a saúde humana, o ambiente e o desenvolvimento vegetal. O presente estudo objetivou avaliar a influência do fenantreno e do benzo[a]pireno sobre a germinação e o desenvolvimento pós-seminal in vitro de R. graveolens. Sementes comerciais descontaminadas foram inoculadas em tubos de ensaio com meio MS suplementado com 0 (controle); 1,0; 5,0 e 10,0 mg L-1 de fenantreno e 0 (controle); 0,001; 0,01 e 0,1 mg L-1 de benzo[a]pireno. Foram avaliados a porcentagem de sementes germinadas, o índice de velocidade de germinação e a entropia. Após dois meses, avaliou-se o comprimento da parte aérea e radicular e contabilizou-se o número de folhas desenvolvidas. Durante o primeiro mês, a presença do fenantreno não alterou o processo germinativo, enquanto que o benzo[a]pireno na concentração de 0,01 mg L-1 proporcionou aumento significativo da germinação (p≤0,05). Durante o segundo mês, as concentrações de 5,0 mg L-1 de fenantreno e de 0,001 mg L-1 benzo[a]pireno resultaram em desenvolvimento radicular significativamente superior. Não foram detectadas diferenças significativas quanto à fitomassa, ao desenvolvimento da parte aérea e número de folhas por plântulas. Tais resultados sugerem potencial para o cultivo de R. graveolens em áreas contaminadas, nos níveis investigados.

 


Palavras-chave


Arruda; Bioindicador; Hidrocarbonetos policíclicos aromáticos

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