Eugenol como anestésico no manejo de ariacó, Lutjanus synagris (LINNAEUS, 1758), cultivado

Rossi Lelis Muniz Souza, Mayra Bezerra Vettorazzi, Roberto Kiyoshi Kobayashi, Manuel Antônio de Andrade Furtado Neto

Resumo


O objetivo deste trabalho foi avaliar a eficácia do anestésico natural eugenol, em diferentes concentrações, durante o processo de anestesia do ariacó (Lutjanus synagris) cultivado. Foram utilizados 108 indivíduos, divididos em três classes de tamanho: alevinos (n = 36), juvenis (n = 36), e adultos (n = 36); com pesos médios respectivos de 3,58 ± 0,63 g; 20,24 ± 5,53 g e 263,51 ± 52,20 g, para cada uma destas classes. As concentrações testadas para as três classes de tamanho foram de 25; 50 e 75 mg L-1 sendo os tempos de anestesia e de recuperação registrados com cronômetro digital. Os resultados mostraram que quanto maior a concentração eugenol utilizada menor o tempo decorrido para atingir cada estágio de anestesia, para as três classes de tamanho. O tempo total de indução anestésica foi menor que três minutos, e a melhor concentração foi 50 mg L-1, para todas as classes de tamanhos testadas. O tempo de recuperação para esta concentração de anestésico foi de 120,7 ± 36,3 s, 78,95 ± 16,52 s, 103,33 ± 22,09 s, para as classes de alevinos, juvenis e adultos, respectivamente. A utilização eugenol para a anestesia de L. synagris foi considerada eficaz, dentro dos padrões preconizados e a concentração ideal não variou com a classe de tamanho.

Palavras-chave


Piscicultura marinha; Anestesia; Lutjanidae; Óleo de cravo

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